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Posto que a
história de Ressaquinha como comunidade urbana seja recente,
posterior a 1882, os seus primórdios remontam ao final do século
XVII. Primeiro é necessário mostrar que a partir da segunda metade
deste século o território foi percorrido pelos bandeirantes
paulistas, em busca de ouro e pedras preciosas, e outros em busca de
índios para seu serviço.
A bandeira
principal foi a de Fernão Dias Paes, a qual partindo de São Paulo
a 21 de julho de 1674, percorreu o território mineiro de sul a
norte, e foi uma bandeira integradora, que fundou Arrais por onde
passava. Foi Fernão Dias Paes que possibilitou o povoamento de
Minas Gerais. Eis que se descobre o precioso metal no início da década
de 1690. Uma plêiade de aventureiros aporta no Rio de Janeiro e via
Parati e Taubaté viajaram até as Minas.
O antigo caminho, denominado Caminho Velho dificultava o
escoamento do ouro rumo a Portugal e depois a Inglaterra, onde foi
financiar a Revolução Industrial. Necessitava-se de um novo
caminho. Ofereceu-se para abri-lo Garcia Rodrigues Paes, filho de
Fernão Dia Paes. Artur de Sá e Menezes Governador do Rio de
Janeiro submeteu ao Rei de Portugal D. Pedro II a proposta em 1698.
Possivelmente em dezembro do mesmo ano, ou levando-se em conta a
estação das águas, em marco de 1699, o caminho começou a ser
aberto.
O primeiro trecho foi da Ressaca aos Campos Gerais. Como uma obra desse
vulto, necessitava de bases para o descanso das tropas e dos operários,
uma dessas bases foi fixada no local denominado Costa da Mina. Ali
foram feitas as primeiras semeaduras. E posteriormente
transformou-se numa fazenda, a da Costa da Mina.
Antes de ser conhecida como Ressaquinha, seu primitivo nome
era Encruzilhada do Campo. Não há um consenso entre os estudiosos
a respeito do nome Ressaquinha.
Existem diferentes versões sobre a origem do nome Ressaquinha. Este
nome em verdade já em 1734 aparece nos registros paroquiais da
Freguesia da Borda do Campo. E um batizado que em outra parte desta
historia refere pessoas da Ressaquinha. Uma fazenda já existente à
época. Essa fazenda é banhada por um curso d’água, ao qual
emprestaram o nome da mesma.
O Reverendíssimo Padre Armando Cesário Lima em seus apontamentos
referiu algumas explicações sobre a origem do nome. Ressaca, fluxo
e refluxo das águas do mar, com o diminutivo Ressaquinha, devido a
uma pequena ressaca num encontro de águas de rios. Ressaca,
proveniente de res sacra, coisa sagrada, talvez a primeira celebração
religiosa ali ocorrida. Fenômeno de refluxo das águas na Ressaca
de Carandaí, repetido em menor escala em Ressaquinha. E uma explicação
por nos aduzida: em Portugal há uma localidade denominada Santa
Maria das Ressaquinha, em cuja nasceu João Alves Preto, pai de José
Alves Preto, natural de Lagoa Dourada. Em 1º de dezembro de 1732 na
Capela de Santo Antônio da Lagoa Dourada filial de Prados foi
batizado o Padre José Alves Preto, cujo pai, ao passar por esta
região aqui teria julgado a paisagem parecida com o do seu torrão
natal e batizado o córrego e a paragem de Ressaquinha, talvez
Ressaquinhas. E tendo a Ressaca por alguns anos servido de passagem
para quem se dirigia a Lagoa Dourada, é possível que ao passar por
aqui, Alves Preto haja tido recordações.
Mais uma pergunta se impõe: como o nome Ressaquinha se impôs ao
território adjacente? È possível que haja sido à época da
inauguração da Estrada de Ferro Dom Pedro II ou de sua estação.
É sabido que os ferroviários não resistiam à tentação de
nomear as paradas e estações ainda que os locais já fossem
conhecidos por outros nomes. Exemplo disso foi à tentativa da
Estrada de Ferro central do Brasil de batizar a parada do Canjamba,
Município de Ressaquinha, como parada “Condutor Castro”, por
julgarem pouco eufônica a denominação antiga de Canjamba. A
Tentativa esbarrou, porém na resistência popular, que sempre
demonstrou o seu amor pela denominação tradicional.

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